15.2.14

A girar, que maravilha....


Acordamos, conversamos e fomos abrir a porta da varanda. Surpresa com o tempo muito nublado com cara de que ia chover depois de sei lá quanto tempo sem uma gota, eu digo esperançosa:
- Será que finalmente chove?

- "Mãe, se chover, a gente pode se abraçar e ir dançar na chuva, como a gente fez lá em Laranjeiras?" Disse ela empolgada.

Rindo, abracei ela, segurei sua mão e comecei a dançar cantando:

- Lá fora está chovendo, mas assim mesmo eu vou correndo, só pra ver, o meu amor... Ela vem toda de branco, toda molhada linda e despenteada... 

E ela me interrompe, rindo:

-Mãe! Você que é meu amor! Você que tá de branco e toda despenteada!


Sempre que eu acho que não dá pra amar mais, vem a vida e me mostra que eu estava errada. Adoro!


PS: Sim, nós dançamos na chuva que caiu ontem, e sim: foi muito divertido!

Volta às Aulas


Era o primeiro dia do primeiro ano no colégio novo, depois de 5 anos na mesma escola, com a mesma turma.  A ansiedade por esse dia teve os dois meses de férias pra crescer.  Confesso que embora fingisse que não, também estava bem ansiosa. Como estava de férias, dispensei o transporte e resolvemos eu e o pai levá-la pra escola nesse dia tão importante.
Ela no carro tagarelava sem parar, perguntando a mim e ao pai como foi nosso primeiro dia de aula, como era na nossa escola, como eram os amigos...

Aí eu digo para animar:

- Filha é super normal ficar ansiosa no primeiro dia de aula, mas esse ano vai ser super legal, cheio de novidade: você vai ter vááários professores, vai ter aula de educação física, vai ter aula de ciências no laboratório!

- E eu vou precisar abrir barriga de sapo?

- Não sei, mas se sim, só quando você for mais velha, não vai ser esse ano não...

- E eu vou precisar usar aquele jacolé e óculos de cientista maluco??
- Não! Nem jaleco nem óculos! 


Muitos risos. E na volta a certeza de que esse será realmente um ano de muitas novidades.

 

30.12.13

Mãe, você é uma vaca.

Pra fechar 2013 com chave de ouro!
Estávamos a caminho do trabalho, eu e Laís. Sim, porque dia 30 é plantão, mega tranquilo, bom dia pra criança "brincar de trabalhar" com a mãe né?
No rádio do carro tocava Caetano, " esse papo seu tá qualquer coisa... vc já tá pra lá de Marakech..."

- Gosto dessa música mãe.
- É? Eu também, gosto muito do Caetano filha. Ele que canta aquela música do Leãozinho que você também gosta, e a sua música!
- Minha música? Qual?
- "Você é linda, mais que demais, vc me faz feliz..." Cantei. Ela riu.
- Eu gosto daquela parte que ele canta "sou o seu bezerro gritando mamãe."
- Sei... É porque você se identifica né, minha bezerra desmamada?
- É! (risos) O que é desmamada?
- E que não mama mais na mãe ué!
- Ah tá...
De repente, após um minuto de reflexão, ela diz assim cuidadosa, com medo de eu me zangar:
- Mãe... Mas se eu sou uma bezerra.... Você é uma vaca  né?

É. Claro que é. Durmam com um barulho desses senhoras e senhores.
E aproveito pra deixar aqui meu desejo de um 2014 repleto de realizações para todos! 
Pelo menos eu sou um vaca simpática e style!

22.11.13

Sobre o que é sagrado



A história começou com um pesadelo terrível, desses que entram pro “top 5” dos piores pesadelos da vida.  “Trairagem” do meu inconsciente, que deixou registrado bem no raso a última coisa que vi antes de dormir: um documentário super interessante sobre o Rio Gangues na Índia, e toda a vida que gira em torno dele. Em determinado momento, mostraram um povoado de 6 mil habitantes onde as cobras são consideradas sagradas, e por isso são tratadas com toda pompa e circunstância. Na Índia tem muito rato, onde tem muito rato tem muita cobra, logo as bichas vivem soltas no meio do povo que meio que não tá nem aí pra elas. A tal espécie “comadre” dos caras é uma tal de uma “não sei que de monóculo” venenosíssima, que gosta de viver nos arrozais, e é responsáveis por centenas de mortes todo ano. 

Abri a porta do quarto no intuito de ver se Laís estava coberta e vi num pânico congelante que ela dormia tranquilamente enquanto uma cobra em cima dela se preparava pra dar o bote. Fiquei aliviada quando percebi que, ao me ver, ela mudou de alvo e veio deslizando lentamente em minha direção.  Desci as escadas vendo que ela me seguia e quando cheguei no andar de baixo corri para atraí-la para fora. Para meu completo terror e espanto ao chegar no andar de baixo ela passou a se movimentar com a velocidade de um lince.  Corri em outra direção com intenção de subir em um lugar alto para fugir de seu ataque, mas só consegui dar um pulo desajeitado e me agarrar a uma pilastra. A cobra também pulou num estilo “Anaconda” que sinceramente, nessa hora eu podia ter desconfiado que só podia ser sonho, mas não. Senti uma quentura no dedo mindinho do pé e percebi que ela havia conseguido me morder e ficado agarrada no meu dedo.  Nesse momento eu sabia que, se em menos de 1 hora não estivesse em um hospital, eu morreria. E deixaria Laís. Tentando sem êxito controlar o pânico berrei por ajuda.  Apareceu meu irmão mais velho que tranquilamente tirou a cobra do meu dedo e a soltou rindo, como se eu estivesse fazendo drama à toa, exatamente como ele fazia nas ocasiões em que  eu tinha um faniquito quando um sapo ou um morcego entravam em casa. Eu dizia que era sério, que ele tinha que  chamar meu pai e minha mãe porque eu precisava de ajuda. Chorava e pensava desesperada em tudo que eu iria perder com minha filha se morresse quando finalmente acordei. 

No mesmo momento Laís se “materializou” em pé ao meu lado, fazendo um gesto com a mão pra que eu chegasse para o lado pra ela ficar “de chameguinho” comigo, como já é habitual dela. Cheguei para o lado e quando ela se deitou eu a abracei apertado, mas do que o habitual, o suficiente para ela me questionar aquele abraço: 

- Tá com saudade mãe? Perguntou sorrindo. 

Fiz que não com a cabeça. E acrescentei: - Tive um pesadelo horrível. Tô aliviada de ter acordado.

- Quer me contar? 

Contei, explicando pra ela inclusive o contexto anterior ao sonho. Ela ouviu tudo com atenção e no fim acariciou meu  rosto e meu cabelo, me deu um beijinho de leve e disse: “- Passou tá? Foi só um sonho mãe, acabou.” Como eu faria com ela.  E me abraçou com delicadeza, me fazendo cafuné. Eu dei um beijo agradecido na sua testa e a soltei um pouco. Ficamos as duas lado a lado de barriga pra cima e mãos dadas olhando pro teto por uns instantes, de repente ainda olhando pro teto ela pergunta: 

- Mãe, o que é sagrado? 

- O que é sagrado... O que é sagrado... Sagrado, deixa eu ver... Deixa eu pensar em como te explicar...

Como explicar pra uma menina de 7 anos o que é sagrado? Depois de mais uns instantes mirando o teto, tentei: 

- Sagrado filha, é tudo que é mais importante pra gente. Por exemplo, lá na Índia a vaca é considerada sagrada e por isso ninguém pode matar a vaca pra comer, porque ela é um presente de Deus e a gente jamais mataria um presente né? Sagrado é tudo que a gente considera um presente de Deus pra gente. Entendeu? 

Ela fez que sim com a cabeça, me abraçou de novo e disse: - Entendi. Você é sagrada pra mim mamãe. Você e o papai. Muito, muito sagrados. O que eu tenho de mais sagrado.  

 E esse amor é o que eu tenho de mais sagrado no mundo. 

Manasa: deusa hindu das cobras, adorada principalmente para a prevenção e cura de picada de cobra e também para a fertilidade e prosperidade.

18.10.13

"Facebookianas"

Nesses nossos dias de multi plataformas, multi tarefas, múltiplos devices, multiplas  redes sociais  e multi o escambau a quatro, sobra cada vez menos espaço no nosso "HD" pra lembrar de tudo que em algum instante nos foi precioso, e é por isso que eu escrevo.
Só que daí, estava eu anotando esses momentos no Face, que é legal é eu curto e tal, mas se perde com o tempo né? Trouxe tudo pra cá.

Sorry pelo post "requentado" para quem é meu amigo lá do FB.  #mausaí










11.8.13

Das difenças entre o pensamento feminino e o masculino

Sempre brinquei que, pra o Wilson achar alguma coisa dentro de casa, não basta dizer "está na gaveta". Ou vc dá o mapa completo "está na primeira gaveta da terceira porta do armarário, no fundo, do lado direito" ou nada feito. Homens de uma forma geral não são bons para achar coisas que estejam fora da sua "alça de mira" ou do seu campo de interesse, vá lá.

Certa vez ganhei um livro que explicava essas diferenças comportamentais e biológicas desde os tempo das cavernas. Eles tem o que no livro era denominado "visão de túnel" porque eram obrigado a enxergar à distância para abater a caça. Já as mulheres precisavam desenvolver a visão periférica para colocar o olho na cria enquanto faziam uma faxina básica na caverna, arrancavam as peles dos bichos pra se proteger do frio, e etc. Tudo ao mesmo tempo.

É bem interessante observar como isso funciona nos dias de hoje.

Contexto: moro numa casa pequena mas que tem dois andares. Meu quarto e meu banheiro ficam no andar de cima, mas como meu chuveiro anda meio temperamental, tenho tomado banho no banheiro de baixo. Hoje o chuveiro temperamental resolveu colaborar e resolvi aproveitar. É claro que só lembrei que tudo meu estava no outro banheiro depois que estava embaixo da água.

-"Amor! Pega por favor minha toalha, meu xampu e meu condicionador lá em baixo, por favor?" Gritei do banheiro. Ele saiu resmungando alguma coisa e voltou pouco depois exasperado:

- Karen, por favor: tem meia dúzia de xampu lá em baixo, qual é o seu?

- "O que eu uso sempre. O verde, pra cabelo cacheado. É o único pra cabelo cacheado que tem lá." Respondi com cara de espanto. Não é óbvio? Ele voltou me entregou o xampu e decretou categórico:
- Quando for me pedir esse tipo de coisa, não é "pega lá meu xampu", é " pega o xampu verde, pra cabelo cacheado que está em cima do armário do espelho. Ok?"

"Ok" pensei agora exasperada eu, com todo aquele exagero. Daí pensei que estava completamente fora de cogitação pedir pra ele pegar o pente pra mim.

-"Laís! Trás o pente pra mamãe filha, por favor?"  Chamei sabendo que ela estava no meu quarto.
- Ela abre a cortina com dois pentes na mão e diz:
- Toma mãe. Não sabia qual você queria então eu trouxe os dois.

Tão complexo para uns, tão simples para outros... 



8.8.13

Eu, você e o Justin Bieber



Laís sofre desde muito bebê de prisão de ventre. Parte coisas da fisiologia feminina, parte coisas que a cabecinha dela foi inventando. 

Fato é que  já tivemos várias fases, umas bem resolvidas com o assunto “número 2” outras bem sofridas, a ponto de só ir ao banheiro em casa e acompanhada de um de nós ( eu o pai ou a avó) segurando na mãozinha.

Então outro dia eu estou bem achando que estamos em uma dessas fases bem resolvidas, quando ela foi passar um dia brincando na casa de uma amiguinha, com demais amiguinhas do colégio. Na volta, estávamos conversando no carro e ela alegremente contando como foi o dia quando ficou de repente meio séria:

- Só fui ruim que eu tive um pouco de dor de barriga... É que eu me segurei pra não fazer ce-ó ce-ó na casa da Cami... 

- Porque vc não quis fazer cocô lá? 

- “Mãe!” Disse ela me repreendendo porque a “milady” acha que é feio falar cocô, então ela soletra. – Porque eu tenho vergonha ué... 

-“ Vergonha de fazer cocô?” Respondi dando esse ênfase no cocô de propósito. 

- Mããããe! 

- Tá, tá, número 2! 

- Tenho... 

- Porque???

Cara de exasperada com minhas perguntas. Sacode as mãos com as palmas pra cima como quem pensa "que mal eu fiz pra merecer essa mãe, meu deus?"  

- Minha filha, deixa eu te dizer uma coisa: imagina uma pessoa chique no último. Linda e glamourosa. Deixa eu ver... Ah! Já sei! Sabe a Selena Gomes, que era namorada do Justin Bieber? A Alex dos feiticeiros de whaverly place? 

- Sei, sei! 

- “Então, minha filha! Vc não faz uma idéia!” Disse em tom de quem vai contar uma boa fofoca.
- Sabe o que ela faz? Cocô, xixi e peido! 

- Mããããe! (Dessa vez ela estava rindo já). Vc tem mania de falar peido! Para! É feio, fala pum! 

Ignorei solenemente e continuei:
- E sabe do que mais? O cocô dela fede pra caramba e o peido é pior que o do seu pai! 

Gargalhadas. 

- “Como é que vc sabe?” Ela me desafiou.

- Como eu sei? Simples! Ninguém, eu disse NINGUÉM nessa vida, faz cocô cheiroso! Nem a Selena e nem o Justin Bieber! E eu te desafio a encontrar alguém que nessa vida nunca tenha dado um peido! Todo mundo peida! Ou pelo menos alguma vez na vida peidou!

- "Todo mundo no mundo mãe?" Perguntou rindo meio descrente.

- Todo mundo no mundo! Juro pra vc! Pode perguntar pro seu avô que é médico! É impossível não peidar!

- "Mãããe... " Advertiu ela mais uma vez.

- Tá bom, tá bom! Todo mundo solta pum! Melhorou?  E todo mundo nessa vida faz cocô ué! Vc acha o que? Que só porque o Justin é lindo ele não faz cocô? Faz sim senhora! E fax xixi, e peida e tem diarréia e vômito! 

- “Eeeeeccccccccccca mãe!” Ela disse “eca” mas estava se dobrando de rir. 

- Mas é verdade ué! Vc veja só, até a Jade (a cadela lá de casa) vomita! Para de bobagem, todo mundo faz cocô! Fazer cocô é normal, o que não é normal e dói a barriguinha pra caramba, é não fazer! O Justin até já vo-mi-tou na frente de to-do mun-do se vc quer saber! No meio do show dele sabia? 

- Sério mãe? 

- Sério, depois te mostro na internet...

E assim, descobri que umas boas gargalhadas são o melhor remédio pra prisão de ventre. ;) 

Justin em momento de puro poder e glamour (só que não)